- LIVRO DE SAMUEL -
A perseguição a Davi, parecia infindável. Deslocando-se mais uma vez - logo depois do encontro com Jônatas - Davi, vai para o cume em Horesa; na colina de Áquila. Vertente que dá para as estepes. Porém, é denunciado por algumas pessoas de Zif; que foram até Saul, dizendo onde encontrava-se Davi.
O mal, não perdia tempo, em fazer suas artimanhas, com finalidade de provocar morte e destruição. Aproveitando-se da ambição e da própria concupiscência humana. Imediatamente o rei esquizofrênico, parte para Zif, em busca de sua presa, tal qual lobo faminto.
Davi, encontrava-se no penhasco chamado Engandi. Saul, voltava da perseguição aos filisteus. Quando o rei recebeu a denúncia - de ende estava Davi - não foi imediatamente ao local, onde encontrava-se seu rival. Os filisteus ainda estavam em território israelita. Depois de ter cumprido seu dever - combatendo o invasor - o rei de Israel, foi ao local indicado, para capturar Davi.
Saul, com três mil homens, chega finalmente à região, onde encontrava-se - o odiado ex genro - e agora proscrito Davi. No local havia uma caverna. Davi e seus companheiros, encontravam-se escondidos no fundo dela.
Saul, entra na caverna para fazer suas necessidades fisiológicas; nem imaginando a presença de outras pessoas a observá-lo. Os companheiros de Davi, incita-o a aproveitar-se da ocasião - alegando que era a providência Divina - para que Davi, livrasse do seu inimigo, matando-o. Assim, poria um fim em todo o problema.
Davi, alega que jamais iria fazer algo, contra aquele que fora ungido pelo Senhor, para reinar em Israel. No entanto, aproxima-se de Saul - sem que este percebesse - cortando um pedaço do manto, de Saul.
Depois que o rei saiu da caverna, para o acampamento, Davi - de longe e em um cocal mais alto - chama Saul, e conta-lhe o ocorrido. Alega que poderia ter matado o rei, sem que esse percebesse. Somente não o fizera, porque tinha respeito ao rei e temor ao Senhor; que havia ungido o rei dos israelitas.
Prostrando-se por terra, o ex pastor de ovelhas, jura lealdade ao rei de Israel. A fala apaixonada, de Davi a Saul - difere de autor para autor - dependendo é claro, das traduções bíblicas. No entanto, o discurso do jovem herói, tem caráter judicial; com apelação à Divindade. Numa relação que haveria ou deveria de ser de justiça e lealdade, Davi demonstra que cumpre com a palavra. O pedaço do manto é uma prova material e inquestionável.
Por isso, a perseguição de Saul, não tem lógica, razão e muito menos justificativa. Davi havia ganhado o pleito, agindo com fidelidade. (Como aconselha Paulo: "Vença o mal com o Bem". (Romanos, 12:21) Isso, já bastaria para rebater o falso testemunho dos covardes.
Em seu clamor ao rei perseguidor, Davi alega que, Saul sempre teve a intenção de matá-lo. Porém, Davi, somente desejava servir ao rei, até que se cumprisse o prazo, dito pelo profeta que o havia escolhido; segundo a vontade do Senhor.
"A maldade sai dos maus... minha mão não se levantará contra ti".
Depois disso - talvez percebendo que não poderia lutar contra as evidências - Saul mudando de atitude, chama Davi de "meu filho".
"Tu és inocente e eu não! Pois tu pagaste-me com o bem e eu te paguei com o mal..."
Quanta generosidade repentina! Ou um recuo estratégico; do "deus" antropomórfico, pai da mentira?
Continua.