quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM 36.

                              Depois de muito falar, Eliu se cala. E no silêncio que separa Jó de seu amigo, ouve-se novamente uma voz. Não partia da boca de Eliu e nem de Jó; e sim de seu "eu" interior. Como se lá estivera, desde tempos remotos! Talvez de outras vidas. No entanto, estava viva; como que saída da boca do próprio Jó. Para o nosso infortunado amigo, era o próprio Deus que lhe dirigia a palavra numa vibração que, somente era ouvida pelo seu coração amargurado e revoltado.
                              Na realidade, era seu próprio guia espiritual que sabendo ser esta a única maneira que encontrara para ser ouvido pelo seu tutelado; e quem sabe, devolver-lhe a razão e o bom senso. Único caminho, para que se despertasse em Jó, um sentimento puro; se desvinculasse do amor próprio, ao qual se tornara escravo.
                             Assim, o Espírito Amigo de Jó, tenta demovê-lo de sua ignorância.
                             Jó vislumbra um redemoinho, do qual pensa sair aquela voz.
                             O Espírito, levanta várias questões relativas a natureza, com toda sua exuberância; bem como as manifestações telúricas, que sempre causaram pavor aos homens, desde seu atávico. Além de discernir sobre toda criação, a entidade espiritual, também questiona os homens, e sua postura diante da vida e seus valores; materiais, morais. Sempre questionando se os  homens, aqui representados na figura  esquálida e miserável de Jó, tem a consciência, de quem é o Criador das coisas e dos seres.
                           Jó, se mantem mudo o tempo todo. Limitando apenas a ouvir o Espírito; que para ele, era o próprio Deus.
                           "Onde estavas tu, quando eu lançava os fundamentos da Terra? Diz-me, se tens entendimento. Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela os ensinamentos?" (Cap. 38:4-5).
                           "Acaso, quem usa de censuras contenderá com o  Todo Poderoso? Quem assim contesta Deus que responda." (Cap. 40:2).
                             Então, responde Jó humildemente:
                             "Sou indigno; que te responderia eu? Ponho a mão na minha boca. Uma vez falei e não replicarei, aliás, duas vezes, porém não prosseguirei." (Cap. 40:3).
                             Todo o capítulo "40" e "41" refere-se as palavras  da entidade espiritual, discernindo a respeito do poder e da força dos grandes animais; tais como, o Hipopótamo e o Crocodilo. Tentando mostrar a Jó, o que é realmente o poder de Deus.
                            Jó termina sua fala, declarando-se arrependido, e reconhecendo todas as abominações que disse contra o Senhor.
                            "Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza." (Cap. 42:5-6).
                              O Espirito continuando a falar, dirige-se agora aos três amigos de Jó. Com severidade, a entidade fala que, eles não foram verdadeiros com suas palavras a respeito da situação de Jó. Faltou-lhes caridade, para com Jó e seu infortúnio. Nenhum deles se lembrou de auxiliá-lo materialmente, e muito menos, tentaram aliviar suas dores físicas e morais. Todos o julgaram. E também, não glorificaram Deus perante Jó.
                             Então, determinou o enviado do Senhor que:
                             "Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós...Então, foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, naamatita, e fizeram como o Senhor lhes ordenara; e o Senhor aceitou a oração de Jó." (v. 8-9).
                               Finalmente, Jó se recupera da doença. Voltaram-lhe os amigos. Tendo recuperado todas suas forças novamente, cada amigo o ajudou com uma quantia de ouro e objetos de valor. Então ele pode recomeçar sua vida. Casou-se novamente, e teve vários filhos e filhas.
                              "Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuía." (v. 10-17).
                              Este livro, com toda sua simbologia e alegoria, muito característica da época, tenta mostrar a capacidade de  recuperação do ser humano, diante de suas adversidades, enquanto ser reencarnado na Terra. E assim, ressarcir suas dívidas perante as Leis de Deus.
                              Nos mostra também, a necessidade de fazermos amigos. Porém, devemos observar que "amigos," não são aqueles que convive conosco, na escola ou no trabalho. Estes, são simplesmente colegas.
                              Amigo verdadeiro, é somente aquele que tem o mesmo ideal espiritual que nós temos, e que conhece, o que conhecemos; em termos de instrução espiritual evangélica.
                              "...tenho vos chamado Amigos, porque tudo que ouvi de meu Pai vos tenho ensinado." (João, 15:14-15).
                            
                             FIM DO LIVRO DE JÓ.
                           
            
                             

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM 35.

                             Prossegue Eliu na sua fala acrescentando que, no sofrer do homem, Deus visa sempre o bem. Na maioria das vezes, a criatura humana não tem olhos de ver e nem ouvidos de ouvir estas bênçãos Divinas.
                             Eliu, exalta a grandeza do Criador, e também a sua Justiça perfeita e imutável. Diz também que, Deus não poupa a ninguém que transgredir suas Leis, que na visão estreita do homem pode tardar, porém jamais falha. Não é como a tacanha justiça humana, que é totalmente tendencial.
                            Quando o homem deixa-se levar pela transgressão, o Criador sempre lhe mostra o caminho certo a trilhar. Dando ao homem, sempre a oportunidade de se redimir. Mas nem sempre os homens ouvem a Deus! Antes preferem as sugestões do mal.
                            "Se estão presos em grilhões e amarrados com cordas de aflição, Ele lhes faz ver suas transgressões, e que se houverem com soberba." (Cap. 36:8-9).
                             "Abre-lhes também os ouvidos para a instrução e manda-lhes que se convertam da iniquidade." (v.10).
                               Quando os homens, pela sua reforma íntima, faz a vontade de Deus, estarão sempre recebendo suas bênçãos e continuarão a trilhar por caminhos seguros; em sintonia com as maravilhas do Todo Poderoso.
                                "Se o ouvirem e o seguirem, acabarão seus dias em felicidade e os seus anos em delícias." (v.11).
                                  Eliu, alerta aos que preferem desafiar Deus, vinculando-se ao mal, ouvindo suas tenebrosas sugestões. Estes amargarão o peso da Justiça infalível de Deus. Perdem a vida em busca de uma felicidade efêmera e passageira. Pois seus pilares, são o materialismo e o acúmulo de bens perecíveis; que na verdade, é empréstimo do Criador, na transitoriedade da vida material.
                                "Os ímpios de coração amontoam para si a ira; e, agrilhoados por Deus, não clamam por socorro." (v.13).
                                  "Perdem a vida na mocidade e morrem entre prostitutos cultuais." (v.14).
                                  Os chamados "prostitutos cultuais," eram os casais que faziam sexo, diante do altar de um determinado "deus" de pedra; para pedir que a colheita fosse abundante.
                                   Eliu, alerta também Jó, das suas lamentações; que na opinião dele eram infundadas, vazias, e totalmente sem fé. Além do mais, Eliu diz também que, com esta revolta contra o Criador, seu amigo Jó, estaria blasfemando contra Deus.
                                   "...mas tu te enches do juízo do perverso, e, por isso, o juízo e a justiça te alcançarão." (v.17).
                                   Aconselha Jó, a rever com muito cuidado, a postura que assumiu, desde que o infortúnio, o alcançou. Propõe Eliu que Jó, faça uma reavaliação de seu íntimo, descubra o seu  lado sombrio, e o recicle como "lixo psíquico."  E então, depois  disso, refaça a aliança com o Altíssimo, aceitando suas Leis imutáveis.
                                  "Guarda-te, não te inclines para a iniquidade; pois isso preferes à tua miséria. Eis que Deus se mostra grande em seu poder! Quem é Mestre como Ele? Quem lhe prescreveu o seu caminho, ou quem lhe pode dizer: Praticaste a injustiça?" (v.21-23).
                                    A Majestade do Criador é exaltada por Eliu, nas suas palavras.
                                    Começa Eliu lembrando que, toda a humanidade deve magnificar as obras de Deus. Quem na Terra, terá condições mentais para descobrir a origem do Todo Poderoso? Quem é capaz de descobrir como Ele faz tantas maravilhas? Qual ciência terrena consegue decifrar seus códigos eternos?
                                  "Eis que Deus é grande, e não o podemos compreender; o número de seus anos não se pode calcular." (v.26).
                                    "Sobre isto treme também o meu coração e salta em seu lugar." (Cap. 37, v.1).
                                      Neste capítulo Eliu tenta mostrar a Jó, o quanto é pequenino o homem, diante da grandeza do Criador. Fala da natureza com toda sua beleza e magnitude. Descreve também, os poderes telúricos, que somente o Criador pode controlar.
                                      Eliu tem a exata noção do mundo em que vive; visto que naquela época muito antiga, poucos tinham o conhecimento que ele detinha. Discernindo a respeito dos fenômenos da natureza, ele diz: "Também de umidade carrega as densas nuvens, que espargem os relâmpagos. Então, elas, segundo o rumo que ela dá, se espalham para uma e outra direção, o que lhe ordena sobre a redondeza da Terra." (v.11-12).
                                     Não sabemos que a frase: "Redondeza da Terra," é realmente de Eliu, ou foi um erro de tradução.
                                      Do versículo "14" em diante, Eliu aconselha Jó, a olhar Deus com mais humildade, confiança e fé. Visto que amor; seu amigo Jó, ainda não era capaz de expressar.
                                      "Ao Todo Poderoso, não podemos alcançar; Ele é grande em poder, porém não perverte o juízo e a plenitude da justiça. Por isso, os homens o temem; Ele não olha para os que se julgam sábios." (v.23-24).
                                    
                                    "Os nobres filhos de Sião, comparáveis a puro ouro, como são agora reputados por objetos de barro, obra das mãos de oleiro!" (Lamentações, 4:2).
                                     

O CRISTO CÓSMICO E OS DRAGÕES DA MALDADE.

                                                       Uma leitura Filosófico-doutrinária. 1. Introdução: O Cosmos e a Hierarquia Moral dos ...