terça-feira, 18 de março de 2025

RELATO DO EVANGELISTA JOÃO A RESPEITO DO HOMEM PRIMITIVO DA TERRA.

                                          Como era, o homem primitivo da Terra, antes da chegada dos capelinos deportados. Comunicação de João, dada na Espanha, nos finais do século passado. 

                                      

                                     Adão ainda não tinha vindo.

                                     Porque eu visualizei um homem, dois homens e no meio deles não avistei Adão e nenhum deles conhecia Adão. 

                                      Eram homens primitivos, esses que meu Espírito absorto, contemplava. Era o primeiro dia da humanidade; porém, que humanidade meu Deus! Era também o primeiro dia do sentimento, da vontade e da luz, mas de um sentimento que apenas se diferenciava da sensação, de uma vontade que apenas desvanecia as sombras do instinto. 

                                     Primeiro que tudo, o homem procurou o que comer; após, procurou uma companheira, juntou-se com ela e tiveram filhos. Meu Espírito não via o homem do paraíso; via muito menos que o homem, coisa pouco mais que um animal superior. 

                                    Seus olhos não refletiam a luz da inteligência; sua fronte desaparecia sob o cabelo áspero e sujo da cabeça; sua boca, desmesuradamente aberta, prolongava-se para frente; suas mãos pareciam com os pés e frequentemente tinham o emprego deste. Uma pele pilosa e rija, cobria suas carnes duras e secas, que não dissimulavam a fealdade do esqueleto. 

                                   Oh! Se tivésseis visto, como eu, o homem do primeiro dia, com seus braços magros e esquálidos, caídos ao longo do corpo e com suas grandes mãos pendidas até os joelhos, vosso Espírito teria fechado os olhos para não ver e procuraria o sono para esquecer. 

                                     Seu comer era como devorar; bebia abaixando a cabeça e submergindo os grossos lábios nas águas; seu andar era pesado e vacilante como se a vontade não interviesse; seus olhos vagavam sem expressão pelos objetos, como se a visão não se refletisse em sua alma; e seu amor e seu ódio, que nasciam de suas necessidades satisfeitas ou contrariadas, eram passageiras como impressões, que se estampavam em seus Espírito e grosseiros como as necessidades em que tinham sua origem. 

                                     O homem primitivo falava, porém não como o homem; somente alguns sons guturais; acompanhados de gestos, necessário apenas para responder às suas necessidades mais urgentes. 

                                     Fugia da sociedade e buscava a solidão; ocultando-se da luz e procurando indolentemente nas trevas, a satisfação de suas exigências naturais. Era escravo do mais grosseiro egoísmo. Não procurava alimento senão para si. Chamava a companheira em época determinada, quando eram mais imperiosos os desejos da carne e, satisfeito o apetite, retraia-se novamente à solidão, sem cuidar da prole. 

                                   O home primitivo nunca sorria! Nunca seus olhos derramaram lágrimas; o seu prazer era um grito e a sua dor era um gemido. O pensar fatigava-o; fugia do pensamento como da luz. 

                                   E, nesses homens brutos do primeiro dia, o predomínio orgânico gerou a força muscular; e a vontade subjugada pela carne, gerou o abuso pela força. Dos estímulos da carne, nasceu o amor; do abuso da força, nasceu o ódio, e a luz agindo sobre o amor e sobre o tempo, gerou as sociedades primitivas. 

                                   A família existe pela carne; e a sociedade existe pela força. Moravam as famílias à vista de todos, protegiam-se criavam rebanhos, levantavam tendas sobre troncos e depois caminhavam sobre a terra. 

                                   O homem mais forte é o senhor da tribo; a tribo mais poderosa é o lobo das outras. 

                                    As tribos errantes, como o furacão, marcham para diante e, como gafanhotos, assaltam a terra onde pousam seus enxames. 


                                   Assim, como deixa ver o evangelista, no final de sua comunicação, com o correr dos tempos, as famílias foram se unindo, formando tribos, se amalgamando, cruzando tipos, elegendo chefes e elaborando as primeiras regras de vida em comum, que visavam preferentemente às necessidades materiais da subsistência e da procriação. 

                                 Estas foram as opiniões do apóstolo João, a respeito dos primatas do orbe terrestre; antes da chegada, da Estirpe adâmica. 

Muita Paz. 

                                     

                                     

                                     

O CRISTO CÓSMICO E OS DRAGÕES DA MALDADE.

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