quinta-feira, 14 de julho de 2016

LIVROD DE JÓ -- POSTAGEM -- 11.

                                E Jó continuou falando; agora em um tom meditativo a respeito dos aspectos da vida. Talvez, a inspiração tenha advindo de sua própria situação. Dissertava ele a respeito da brevidade da vida humana. A criatura nasce, torna-se dependente e carente de proteção até uma certa idade; diferente dos animais, alguns humanos ficam na casa onde nasceram a vida inteira. Quando envelhecem, se arrependem do medo que tiveram  em trabalhar e formar família .
                                Outros, até formam família; porém, tornam-se um tirano dentro de casa. Mas como todos, também envelhecem e morrem, para então serem julgados no tribunal da própria consciência.
                                "...sobre tal homens abre os olhos e o fazes entrar em juízo contigo?"
                                 Não podemos ter esperança na vileza e nem na imundícia! Alega o crítico e literalmente sarcástico Jó. A palavra "sarcástico" vem do grego "sarkastikós"; isto é, aquilo que, metaforicamente, dilacera a carne.
                                  "Quem da imundícia poderá tirar coisa pura?"
                                 A vida do ser humano na terra, tem um tempo predeterminado! Um pouco mais longo, ou breve; dependendo de como arbitrar a vida na carne. Mas jamais será da vontade do homem, o direito de quando irá morrer. Quando provoca por vontade  própria a brevidade da vida, comete blasfêmia contra a Lei de Deus. Pela misericórdia de Deus, o homem é aliviado de seus sofrimentos, por breves períodos; para que tenha um respiro e renove suas forças.
                                "Desvia dele os olhares, para que tenha repouso..."
                                 Novamente Jó recorre a natureza, em comparação com a insignificante vida do orgulhoso e cego ser humano! Vejam bem! Até mesmo uma árvore comum, se cortada ou quando morre, passa algum tempo, e começa novamente a ressurgir da terra; a princípio um pequenino raminho verde; para depois de alguns anos, lá está ela novamente frondosa e forte; oferecendo sobra, e as vezes, até mesmo frutos.
                                 E nós seres humanos? Jesus nos comparou com a figueira estéril. "Pois há esperança para árvore..."
                                 "O homem morre e fica prostrado; expira o homem e onde está?"
                                    Após deixar o corpo inerte de carne, o Espírito torna-se errante! Isso acontece com a maioria deles. Porque nunca cogitou da vida espiritual! Pois era materialista, sensualista, e somente queria viver nos excessos da matéria. Somente encontrará um "norte" em sua nova vida, a vida verdadeira; não a mentirosa ilusão, que acreditava viver; quando saturar de tanto sofrimento.  
                                   "...assim o homem se deita e não se levanta; enquanto existirem os céus, não acordará."
                                    Os materialistas somente "acordam" na vida espiritual, quando se tornarem humildes bastante, para encarar o espelho do próprio ego; e vislumbrar a verdadeira face horrenda  saturada de sofrimento.
                                    "...enquanto existirem os céus, não acordará, nem será despertado do seu sono."
                                    Reflete Jó: Será que a vida continua para além da morte? E depois? Poderá a criatura retornar, assim como a árvore, brotará o homem novamente? Dará ele também frutos da sua carne? Pois existem também, árvores que são estéreis.
                                    "Morre o homem, e depois volta a viver?"
                                    Será que posso eu esperar ser substituído? se sim, esperaria de bom grado esta substituição. Refletiu Jó silenciosamente consigo mesmo. Embora o conceito de reencarnação de Jó seja um tanto distorcido, como é comum aos homens optarem pelo mais fácil; quando se trata de compromissos e responsabilidades. Mesmo assim, podemos chamar de um conceito primitivo da reencarnação.
                                     "...como as águas gastam as pedras, e as cheias arrebatam o pó da terra, assim destrói a esperança do homem."
                                   Somente o Criador é eterno! Tudo na criação se renova constantemente; e o homem também está inserido nesse infinito "vir a ser." Finalmente constata Jó que, cada criatura de Deus, tem o próprio caminho evolutivo; isso é particular e intrasferível.
                                  "Os seus filhos recebem honras, e ele o não sabe; são humilhados, e ele o não percebe."
                                    O ser humano não é um marionete de Deus! O maior legado do Criador a sua criatura, é o livre arbítrio. Somete o homem escolhe o caminho a trilhar. Se escolher bem, se aproxima do Criador; quando escolhe mal, afasta-se do Criador.
                                    "Ele sente as dores apenas de seu próprio corpo, e só a seu respeito sofre sua alma."
                                      "Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens para justificação que dá vida." (I Romanos, 5:18).
                                   
                                   
                                   

quarta-feira, 13 de julho de 2016

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM -- 10.

                               Jó, permaneceu pensativo por um breve instante; cabeça baixa, olhando para o chão de cinzas o qual estava sentado. Subitamente, erguendo a cabeça, com os olhos no horizonte, como que buscando inspiração, começou a defesa de sua integridade nesses termos: "Volto a reafirmar a vocês dois que, não sou cego de entendimento, e muito menos, tenho a mente embotada para ignorar tudo que ouvi de vós." Jó alega que somente se defenderá perante aquele que é superior a todos os seres e a todas as coisas. Somente a Deus ele exporá suas dúvidas e seu posicionamento até aquele momento fatídico, em sua existência no corpo de carne.
                               Jó coloca em dúvida a integridade e a sinceridade de seus amigos, alegando que eles estavam camuflando a verdade com mentiras; e os acusa de falsos médicos.
                              "Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada."
                                Propõe ele, que seus amigos se calem para ouvir o  que ele tem para dizer em sua própria defesa. Disse Jó que o homem se ilude ao pensar que pode induzir Deus a tomar atitudes a seu favos, com promessas vãs. Será que pode o ser humano, ser perverso, e pensar que isso passará desapercebido do Criador, somente porque financiou obras sociais? Por acaso, pensa o homem, que Deus aprova contendas; mesmo sendo em seu nome? Isso não é tomar em vão o Santo nome do Criador?
                                Se Deus os analisar, descobrirá a vossa verdadeira face! Alias, nem é preciso! Pois o Altíssimo, conhece as nossas necessidades, antes que elas nascem em nós. O homem deveria se conscientizar que, o Criador é Onipresente; Uniciente; Onipotente; Soberanamente Bom e Justo. E isso, deveria pelo menos, causar temor ao homem! As  palavras dos homens, ocas, e seus argumentos vazios. Por isso, Jó manda que se calem diante dele; não é uma declaração saída de seu ego, mas sim, da amargura que inunda seu coração.
                                "...falarei eu, e venha sobre mim o que vier."
                                  Agora, a atitude de Jó é um misto de revolta e determinação; não se importando com as possíveis consequências espirituais daquilo que passa pela sua mente, e também não se preocupa em materializa-las em palavras.
                                  "Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a vida na minha mão."
                                    Jó, não está mais se importando, se morrerá ou não; o importante naquele momento, é a defesa do seu ponto de vista a respeito de sua terrível situação. Porque, quem está de fora de um grave problema, o vê sobre um ângulo diferente daquele que está sofrendo suas consequências. E é sobre o ângulo visto por Jó, que ele defenderá.
                                 "...já não tenho esperança; contudo, defenderei meu procedimento."
                                  Alega o nosso infortunado Jó que, a sua consciência está tranquila; e isso o deixa feliz, visto que os ímpios não costumam lembrar-se de Deus. Sendo assim, ele não se considera o mais vil dos seres; pois acredita na sua própria redenção. Pede que não o julguem antes de suas explicações e as razões de seu modo de proceder. Dis também que sua consciência está em paz, porque a sua causa, no seu entendimento está no caminho certo, e que se fará justiça a seu favor.
                               Então ele pergunta, se alguém tiver uma argumentação melhor que a dele, certamente que ele não mais dirá palavra alguma e entregaria seu Espírito ao julgamento. Jó pede a seus amigos, que não sejam emocionais, porém, que a justiça fale mais alto; baseada na verdade, na razão, e no bom senso. O que Jó não entende, é o motivo de tanto rancor da parte daqueles, que outrora se diziam seus amigos. Se estas são suas verdadeiras faces, por que as esconderam até agora?
                                 Porventura querem seus amigos causar pavor à aquele que já não tem mais o vigor de antes? Pode uma folha resistir a força do vento? Julgam Jó com severidade; alegando que a sua desventura é consequência dos devaneios da sua juventude.
                                "Decretas contra mim coisas amargas e me atribuis culpa da minha mocidade."
                                  Jó termina seu desabafo, dizendo que já não tem mais nenhuma necessidade de seguir a qualquer tipo de controle ou direcionamento advindo de seus amigos. Será que eles ainda não perceberam a sua real situação, moral, física e mesmo espiritual?
                               "...Também põe os meus pés no tronco, observas todos os meus caminhos e traça limites à planta dos meus pés, apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome e como a roupa que é comida da traça."
                                   "Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis." (I Romanos, 1:22-23).
                                 

terça-feira, 12 de julho de 2016

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM -- 9.

                              Finda a fala de Zofar, Jó levanta sua voz, em resposta ao que dissera o seu amigo.
                              Exclamou Jó que, os seus dois amigos  também eram pessoas do povo; mesmo com o conhecimento que acumularam, eles não sabiam tudo. Disse também, que ele próprio  tinha conhecimentos, e não se sentia inferior a nenhum deles. Lembrou Jó, que todo homem de bom senso, pode conquistar muitos conhecimentos, sem precisar ser nenhum gênio excepcional para se tornar entendido das coisas que estão a sua volta; pois isso é útil, na vida prática e essencial para a sobrevivência.
                              "Também eu tenho entendimento como vós; eu não vos sou inferior..."
                                Continuando, ele lamenta o fato de ter se tornado motivo de risos para seus amigos, pois ele sempre fora uma pessoa religiosa; e na sua opinião, Deus lhe respondia sempre, caso contrário não teria conquistado o que conquistou. Se considerava uma pessoa reta, por isso o Criador o atendia. Mas achava também, que ser honesto e justo, é motivo de risos diante dos outros.
                                Parando para respirar, continuou Jó, agora com o fôlego recuperado. Disse que, todo ser humano possuído pelo excesso de segurança, abre a guarda! Tanto da mente, quanto do coração; tornando-se frágil sem perceber; então, basta um pequeno deslize para cair no infortúnio.
                                "No pensamento de quem está seguro, há desprezo para o infortúnio..."
                                  Todo tirano tem em mente, que a paz significa, o domínio do poder. Pois Deus para eles, é mera figura de retórica; e religião serve para acalmar e satisfazer as massas. Alega que o principal conhecimento, é saber ler e ouvir a natureza na sua essência. Basta perguntar aos elementos existentes e que fazem parte desta natureza, que as respostas virão por observação e apuração dos sentidos.
                                   "...pergunta às alimárias, e cada uma delas to ensinará; até às aves dos céus, e elas to farão saber. Ou fala com a terra, e ela te instruirá; até os peixes do mar to contarão."
                                        Afirma Jó, que a natureza, bem como todas as criaturas que vivem de seus "frutos," sabem que foi o Criador, seu grande e único Arquiteto. E eles vem lhe falar de sabedoria! Deus é quem detém todo o verdadeiro conhecimento e todas as verdades, que o homem em seu equivocado orgulho e prepotência, pensa que conhece.
                                      Disse Jó que a maior prova disso, está na própria criação! e em suas intrincadas estruturas orgânicas.
                                      "Porventura, o ouvido não submete à prova as palavras, como o paladar prova as comidas?"
                                         Será que, basta envelhecer para se adquirir automaticamente o entendimento das coisas, ou a sensatez? Claro que não! Jó responde que, é o Criador que dá tudo a hora que achar melhor; assim como também, pode tirar. A obra e as Leis de Deus são inquestionáveis, pois não existe outro ser capaz de fazer melhor! Por isso, são eternamente renováveis e jamais desaparecerão.
                                        "...Deus tem a sabedoria e a força Ele tem conselho e entendimento..."
                                         Mesmo a maior inteligência, o maior conhecimento, e o maior poder, que possam existir na face da Terra, Deus despoja-os de seus cargos a hora que achar necessário. No entanto, o Altíssimo somente quer e faz o melhor para a sua criatura.
                                         "...Dissolve a autoridade dos reis, e uma corda lhes cinge os lombos...aos poderosos, transtorna..."
                                              O homem sábio é humilde! Reconhece sua pequenez diante do seu Criador, apenas olhando a natureza a sua volta. Sobre sua cabeça, está toda a grandeza e o poder de Deus. Basta olhar para o céu em uma noite estrelada. Quando o homem na sua loucura desafia Deus, violando sua Leis imutáveis e infalíveis, assemelha-se, à aqueles personagens fictícios chamados "zumbis;" que nas trevas caminha, sem rumo ou raciocínio.
                                        "Nas trevas andam às apalpadelas, sem terem luz, e os faz cambalear como ébrios."
                                         "Assim, pois, todos os que pecaram sem Lei também sem Lei perecerão; e todos os que com Lei pecaram mediante Lei serão julgados." (I Romanos, 2:12).

O CRISTO CÓSMICO E OS DRAGÕES DA MALDADE.

                                                       Uma leitura Filosófico-doutrinária. 1. Introdução: O Cosmos e a Hierarquia Moral dos ...