sábado, 2 de julho de 2016

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM -- 6.

                                "Sou o oceano ou dragão para que me ponhas freio?"
                                  Sim! Jó estava preso ao que denominamos, de uma espécie de "prisão" temporária na doença de seu corpo e na miséria material. Totalmente desprovido de bens, não poderia, assim como o oceano, movimentar-se em grandes ondas e ou cuspir fogo e destruição. O homem também, através de sua insensatez provoca verdadeiros tsunamis; ou então, cospe fogo e ódio contra o próprio semelhante em guerras fraticidas; provocando miséria e destruição. Em família, torna-se um tirano doméstico, quando não é satisfeito em seus desejos mesquinhos, egoístas e intolerantes.
                                     Clama o homem sempre... sentindo-se injustiçado, roga a Deus por justiça e paz. Esquece que a tão sonhada paz, está em seu próprio íntimo. No entanto, só tem olhos para as aparências exteriores; para o materialismo ou o cientificismo; esquecendo que embora encarnado, é um Espírito, que foi criado simples e ignorante. Porém, pelo esforço e merecimento, pode evoluir e chegar bem próximo do Criador. "É assim que tudo serve, que tudo se encadeia na natureza, desde o átomo primitivo até o Arcanjo, que também começou por ser átomo..." (Questão 540 -- Livro dos Espíritos -- Allan Kardec.).
                                      "O que é o homem para que lhe dês importância, para que te ocupes dele, para que passes em revista pela manhã e o examines a cada momento?"
                                          O Criador Ama a sua criatura, com Amor que o ser humano ainda não tem evolução para compreender. Deus não vigia o homem! Deu-lhe o livre arbítrio para que a criatura possa agir livremente, segundo sua vontade. Disse o Cristo: "Assim, brilhe vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus." (Mateus, 5:16).
                                          Porém, o Cristo recomendou que o homem não julgasse seu semelhante! Isso porque somente o Criador pode fazer.
                                          "Até quando não afastará de mim a vista e não me deixarás sequer tragar a saliva?"
                                            Se Deus se afastar totalmente do homem, este não terá nem um segundo de vida! O Criador jamais abandona sua criatura; seja ela a mais vil e torpe de todas! Para isso, designou um Espírito protetor, que orienta intuitivamente o homem. Do nascimento até os sete anos, este Espírito amigo, estará sempre junto a criatura; depois desta idade para frente, não permanecerá sempre ao lado de seu tutelado, mas o atenderá sempre que as circunstâncias e as necessidade, assim o requerer.
                                             Este Espirito guardião, orientará seu tutelado, dentro dos princípios da verdade, da razão e do bom senso; o homem poderá ouvir sua instrução ou não. Quando despreza o bom conselho de seus amigo espiritual, sua situação se agrava. Quando ouve, aprende pela instrução; e então evolui com segurança.
                                             "Se pequei, o que te fiz?"
                                              O homem, ínfima criatura; nada poderá fazer contra Deus! Nós nos prejudicamos, pela nossa insensatez e pelo orgulho. Devido as nossas ambições, ganância, materialismo, excessos; nos violamos as Leis do Criador. Obrigados pelo tribunal da consciência ao resgate dos compromissos assumidos, quando na carne na superfície da terra, lamentamos impacientemente, não aceitando a situação.
                                                "Porque não perdoas meu delito e não afastas de minha culpa, se logo me deitarei no pó; madrugarás por mim, e já não existirei?"
                                                  Se Deus atendesse esta sugestão de Jó, a sua obra se tornaria inútil e totalmente sem sentido. Deus é perfeitíssimo; infalível. A obra do Criador é perfeita; como perfeitas são suas Leis! O Criador perdoa sua criatura, sempre que ela falhar em seus propósitos. No entanto, a Justiça de Deus sendo perfeita, permite que a criatura volte à matéria para recomeçar de onde faliu. E então, se não falir novamente, e cumprir os compromissos assumidos no plano espiritual, terá dado mais um passo na sua evolução.
                                                  Não existe conquista moral sem luta e dificuldade. Evoluir é doloroso! Por isso, exige amor, coragem, fé, vontade, força de vontade e persistência, e muito trabalho na seara do Cristo. (Cap.7:1-21).
                                                   "Quando um de vós tem pleito com outro, como se atreve a ser julgado pelos injustos e não pelos consagrados? Não sabeis que os consagrados julgarão o mundo?" (I Coríntios, 6:1-2).
 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM -- 5.

                                 Depois de uma breve parada, Jó novamente levanta sua voz como que para reafirmar  o que havia dito. O lamento era o mesmo, a voz com um misto de perplexidade e medo, continuava trêmula.
                                  "O homem está na terra cumprindo um serviço, seus dias são os de um diarista: como escravo, suspira pela sombra, como diarista, aguarda o salário."
                                    O serviço do homem como Espírito reencarnado, é a luta e o esforço diário para cumprir o resgate de seus compromissos perante a Lei de Deus. Quando não cumpre com o dever e a responsabilidades assumidas no plano espiritual, vive esgueirando-se como uma sombra, e algemado ao mal, como um escravo. Isso porque se recusa ao bom combate junto as forças do bem. O seu salário será de acordo com aquilo que semear. A semeadura é livre; mas a colheita é obrigatória.
                                   Os dias, as semanas, os meses e os anos; poderão ser profícuos ou não! Enquanto o ser for tal qual a "figueira estéril," sua passagem pela terra terá sido inútil, pois não dando frutos, será "cortada." Porém, Deus é Misericordioso, dará nova oportunidade à aquelas almas ainda estéreis. "...Disse então ao viticultor: Eis que há três anos venho procurar fruto nesta figueira, e não o acho; corta-a para que ocupa ela ainda a terra inutilmente? Respondeu-lhe ele: Senhor, deixa-a este ano ainda, até que cave em derredor, e lhe deite estrume; e se no futuro der fruto, bem, se não, cortá-la-ás." (Lucas, 13:6-9).
                                       "Não me verás, olho de quem vê, quando me olhares tu, já não estarei."
                                         As misérias, não são dos interesses da maioria dos homens; caso contrário, já não mais existiriam na terra. O homem tem olhos somente para o que for agradável a sua visão estreita e equivocada. O ser humano acostumou-se a contemplar somente aquilo que lhe da prazer e proporciona felicidade. No entanto, esta "felicidade" é efêmera; tal qual uma nuvem, ela aparece e desaparece diante de nós num piscar de olhos.
                                         "Como a nuvem passa e se desfaz, quem desce ao túmulo já não sobe; não retorna à sua casa, e sua morada não volta a contemplá-lo."
                                            A passagem pelo Espírito na terra enquanto alma vivente, recebe um corpo de carne para que o Espírito possa evoluir. Sendo breve esta estadia do Espírito, deve cumprir bem o seu compromisso perante a Lei, caso contrário sua consciência se sentirá culpada; então, lamentará a oportunidade perdida.
                                            "Por isso não frearei minha língua, falará meu Espírito angustiado, minha alma se queixará entristecida."
                                              É uma dor imensa de toda criatura que faliu em seus compromissos, ao encarar o tribunal da própria consciência, e constatar que foi negligente, não aproveitando a benção da reencarnação. Na erraticidade, clamará a Deus, nova oportunidade na carne, para aplacar sua culpa. Enquanto encarnado, se angustia diante das dificuldades que ele mesmo se propôs a superar. Assim é o homem!

quarta-feira, 29 de junho de 2016

LIVRO DE JÓ -- PPOSTAGEM -- 4.

                               Terminada a fala de Elifaz, Jó toma a iniciativa de responder as ponderações do seu amigo. Inicia sua fala, lamentando o que se passava com ele; e quão pesados estavam sendo seus dias, muito diferente dos dias no passado venturoso. Compara sua aflição as multidões infindáveis dos grãos de areia. Alega que suas palavras, são a expressão de sua alienação.
                             "Se fosse possível pesar minha aflição e juntar na balança minhas desgraças, seriam mais pesadas que a areia."
                               Exclama que, seu coração está ferido pela Lei implacável do Criador; em sua mente, está consciente que violou a Lei de Deus; só não sabe, como, quando, e onde? E todo rigor da Lei está contra ele.
                               "Levo cravadas as flechas do Todo-Poderoso e sinto como absorvo o veneno delas; os terrores de Deus se organizam contra mim."
                                  Lamenta Jó, que a vida para ele agora, não está mais em harmonia como era  antes; agora tudo se tornou amargo e em desacordo com o natural. Como se houvesse uma inversão de tudo que vivera até o seu nascimento na terra. Alega que até os animais não convivem com o que for contrário aos seus costumes de sobrevivência. Lamenta que, antes na abastança, jamais pensaria que um dia, tudo que lhe provocava asco, agora é o que lhe dá o sustento.
                                 "Muge o boi diante da forragem? Vai alguém comer sem sal o que não tem sabor? O que me dava asco é agora meu alimento repugnante."
                                   Não existe resgate sem dor! Poia as provações são o único meio de se reeducar os sentimentos. O que Jó se esforçava para fazer, aceitando seus suplícios sem amaldiçoar a Deus, era um ato de amor a vida; por mais inverossímil que isso possa parecer! Pois não existe amor sem sacrifícios. Amor verdadeiro, é ajudar o semelhante sem espera de recompensas! E isso exige que estejamos prontos para abrir mão de algumas coisas em prol do semelhante.
                                     A esperança de Jó, é que seu pedido seja atendido por Deus; que ele seja esfacelado, sentiria enorme prazer, em receber forças de Deus, para conseguir passar por todas as dores, as piores que fossem, e se alegraria muito em resistir com firmeza sem renegar o Criador. Deus deu, Deus tira; a hora que achar necessário. Este é um dos recados de Jó aos homens! Principalmente aos orgulhosos e prepotentes materialistas.
                                      "...mesmo torturado sem piedade, pularia de prazer, por não ter renegado as palavras do Santo."
                                       No íntimo Jó está dividido entre momentos de euforia e esperança, e momentos de grande desânimo. Ele coloca em dúvida a sua capacidade de resistência e a força necessária para suportar tal provação. Também lamenta a infidelidade dos homens, comparando-os a aridez de seus corações, ao leito seco de um rio. Pergunta a ele mesmo qual o valor verdadeiro da paciência, ou a ciência da paz? Quem não sabe pacificar o próprio coração, estará sempre em conflito com os outros, e consigo mesmo. Isso é como viver numa constante guerra sem fim; que aos poucos vai minando a resistência do individuo. Se nós não aprendermos a "ciência da paz" ou paciência, no final da vida corremos o risco de doenças neurológicas, tais como: AVC, Isquemia, e até mesmo Alzheimer.
                                      "Assim vós vos tornaste nada, vedes algo terrível e sentis medo."
                                         Jó alega que, não quer nada que for contrário a Lei de Deus. Não pediu ao Criador nada que seja contrário a suas Leis imutáveis; e nem disse para ninguém fazê-lo em seu nome. O que ele realmente deseja e pede é a instrução, para que possa entender tudo o que está passando.
                                        "Acaso vos pedi que deis por mim algum suborno de vosso bolso, que me livrais de meu adversário e me resgateis de um poder tirânico? Instrui-me, e guardarei silêncio, fazei-me ver em que me equivoquei."
                                         Na vida real, dizemos que temo "amigos." Na verdade, o que realmente temos, são "coleguinhas." Amigo de verdade, é aquele que tem o mesmo ideal que nós; e também, possui a mesma vontade, força de vontade e persistência, em aprender o melhor para nossa evolução integral; tanto espiritual como intelectual. O que não sabemos, o Amigo nos instruirá.
                                
                                 

domingo, 26 de junho de 2016

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM --- 3.

                            "Eu vi um insensato lançar raízes e num momento secou-se a sua pastagem; seus filhos sem poder salvar-se, atropelados sem defesa diante dos juízes..."
                             Se Jó instruía a todos que o procuravam, no entanto, não conseguira colocar razão na mente de seus próprios filhos. Os filhos de Jó, se entregaram de corpo e alma, a todo tipo de luxúrias; nunca pensaram nas consequências de seus atos. Por que Jó não vira as más tendências que iam crescendo nos filhos, desde a infância? Talvez estivesse mais preocupado em aumentar seus rebanhos e com o próprio prestígio?
                             "A miséria não nasce do barro, fadiga não germina na terra; é o homem quem nasce para a fadiga..."
                              Foram os homem que contaminaram a terra com suas atitudes, sempre procurando excessos; isso gerou a miséria material e moral na maioria das criaturas. A vida de sacrifícios, causando a diminuição das forças dos homens, é o resultado de sua revolta, e prepotência, achando-se auto suficiente; assim quando cai esgotado, física e moralmente, no pedestal de seus orgulho, ainda depende da saturação do sofrimento, antes de recorrer ao Criador.
                              "Eu em teu lugar eu recorreria a Deu para pôr minha causa em suas mãos."
                                Um conselho muito sábio e sensato da parte do amigo Elifaz. Pois o Senhor é um Deus zeloso, soberanamente Bom e Justo. Quem o procura, jamais ficará sem guarida, proteção. No entanto, o Criador não resolve nossos problemas, como querem a grande maioria dos "religiosos." Como dizia um ditado popular: "Deus não dá o peixe; ele ensina a pescar." Se esta pescaria é difícil, penosa, e as vezes não há peixe, é porque o homem não está fazendo por merecer, nem mesmo o necessário.
                                Todos os prodígios de Deus, estão em volta das criaturas! Porém, a maioria não tem olhos de ver na natureza, todas as maravilhas do Criador. Alguém disse com muita propriedade, que Deus está sempre a procura do homem; e este está sempre lhe virando as costas. O Criador sempre salva o homem de si mesmo; principalmente da língua do homem; esta é a causadora de todas as desgraças das criaturas humanas. "Feliz o homem em que Deus corrige!"
                                Esta correção Divina, está expressa nas infinitas reencarnações a disposição das criaturas, até que, o ser humano se depure, resgatando todos os compromissos com o planeta em que vive e evolui. Esta evolução, será mais rápida ou mais lenta; dependendo das ações, atitudes, enquanto no corpo de carne; que é o templo do Espírito. Quando decidir fazer sempre a vontade do Criador, terá conquistado pelo esforço próprio a sua libertação.
                                 O homem sensato, jamais se revolta contra a correção Divina, antes ele a agradecerá sempre. O homem que escolheu a "porta estreita," como recomendou o Cristo, será recompensado por todos os sacrifícios e dificuldades superadas, nos pedregosos caminhos da evolução espiritual. Não dificultes, e nunca vire a cara para o Altíssimo, quando ouvir sua voz a  te convocar para algum trabalho que ninguém quis assumir. Como dizia um grande Amigo: "o maior problema, é não ter problema."
                                 "...terás paz com as feras, desfrutarás a paz de tua tenda e ao percorrer teus apriscos nada faltará..."
                                 Além do Leviatã, ainda existem em nosso ego, equivocado, outros monstrinhos, chamados "elementais primários," que a nossa concupiscência criou. Eles também não podem ser destruídos por nós. Fazem parte de nós! É de nossa responsabilidade e dever, educa-los, tendo por base o Evangelho. O Leviatã, nós o trouxemos de Capella, quando fomos deportados; já os elementais primários, nós os criamos aqui na Terra mesmo.
                               "...descerás ao túmulo sem achaques, como um feixe na estação. Tudo isso indagamos e é certo: escuta-o e aplica-o."
                              Sim! Quando levamos para o túmulo a consciência culpada, estaremos entrando no inferno! Por outro lado, ao cruzarmos as fronteiras da vida material, sem culpas na consciência; estaremos entrando no plano espiritual, conscientes do dever realizado. Pois a Lei de Deus, está escrita na consciência do  ser. (Questão, 621 - Livro dos Espíritos - Allan Kardec.).
                              E finalmente, estando conscientes dos ensinamentos que Deus enviou o Cristo para no-lo exemplificar, e ensinar através do Evangelho de Amor, já é hora de aplica-los; primeiro em nós próprios, numa reforma íntima; e depois, no trabalho da seara do Cristo Planetário. (Cap. 5:1-27).
                              "Tornai-vos à sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus; isto digo para vergonha nossa." (I Coríntios, 15:34).
                              
                             

O CRISTO CÓSMICO E OS DRAGÕES DA MALDADE.

                                                       Uma leitura Filosófico-doutrinária. 1. Introdução: O Cosmos e a Hierarquia Moral dos ...