quarta-feira, 29 de junho de 2016

LIVRO DE JÓ -- PPOSTAGEM -- 4.

                               Terminada a fala de Elifaz, Jó toma a iniciativa de responder as ponderações do seu amigo. Inicia sua fala, lamentando o que se passava com ele; e quão pesados estavam sendo seus dias, muito diferente dos dias no passado venturoso. Compara sua aflição as multidões infindáveis dos grãos de areia. Alega que suas palavras, são a expressão de sua alienação.
                             "Se fosse possível pesar minha aflição e juntar na balança minhas desgraças, seriam mais pesadas que a areia."
                               Exclama que, seu coração está ferido pela Lei implacável do Criador; em sua mente, está consciente que violou a Lei de Deus; só não sabe, como, quando, e onde? E todo rigor da Lei está contra ele.
                               "Levo cravadas as flechas do Todo-Poderoso e sinto como absorvo o veneno delas; os terrores de Deus se organizam contra mim."
                                  Lamenta Jó, que a vida para ele agora, não está mais em harmonia como era  antes; agora tudo se tornou amargo e em desacordo com o natural. Como se houvesse uma inversão de tudo que vivera até o seu nascimento na terra. Alega que até os animais não convivem com o que for contrário aos seus costumes de sobrevivência. Lamenta que, antes na abastança, jamais pensaria que um dia, tudo que lhe provocava asco, agora é o que lhe dá o sustento.
                                 "Muge o boi diante da forragem? Vai alguém comer sem sal o que não tem sabor? O que me dava asco é agora meu alimento repugnante."
                                   Não existe resgate sem dor! Poia as provações são o único meio de se reeducar os sentimentos. O que Jó se esforçava para fazer, aceitando seus suplícios sem amaldiçoar a Deus, era um ato de amor a vida; por mais inverossímil que isso possa parecer! Pois não existe amor sem sacrifícios. Amor verdadeiro, é ajudar o semelhante sem espera de recompensas! E isso exige que estejamos prontos para abrir mão de algumas coisas em prol do semelhante.
                                     A esperança de Jó, é que seu pedido seja atendido por Deus; que ele seja esfacelado, sentiria enorme prazer, em receber forças de Deus, para conseguir passar por todas as dores, as piores que fossem, e se alegraria muito em resistir com firmeza sem renegar o Criador. Deus deu, Deus tira; a hora que achar necessário. Este é um dos recados de Jó aos homens! Principalmente aos orgulhosos e prepotentes materialistas.
                                      "...mesmo torturado sem piedade, pularia de prazer, por não ter renegado as palavras do Santo."
                                       No íntimo Jó está dividido entre momentos de euforia e esperança, e momentos de grande desânimo. Ele coloca em dúvida a sua capacidade de resistência e a força necessária para suportar tal provação. Também lamenta a infidelidade dos homens, comparando-os a aridez de seus corações, ao leito seco de um rio. Pergunta a ele mesmo qual o valor verdadeiro da paciência, ou a ciência da paz? Quem não sabe pacificar o próprio coração, estará sempre em conflito com os outros, e consigo mesmo. Isso é como viver numa constante guerra sem fim; que aos poucos vai minando a resistência do individuo. Se nós não aprendermos a "ciência da paz" ou paciência, no final da vida corremos o risco de doenças neurológicas, tais como: AVC, Isquemia, e até mesmo Alzheimer.
                                      "Assim vós vos tornaste nada, vedes algo terrível e sentis medo."
                                         Jó alega que, não quer nada que for contrário a Lei de Deus. Não pediu ao Criador nada que seja contrário a suas Leis imutáveis; e nem disse para ninguém fazê-lo em seu nome. O que ele realmente deseja e pede é a instrução, para que possa entender tudo o que está passando.
                                        "Acaso vos pedi que deis por mim algum suborno de vosso bolso, que me livrais de meu adversário e me resgateis de um poder tirânico? Instrui-me, e guardarei silêncio, fazei-me ver em que me equivoquei."
                                         Na vida real, dizemos que temo "amigos." Na verdade, o que realmente temos, são "coleguinhas." Amigo de verdade, é aquele que tem o mesmo ideal que nós; e também, possui a mesma vontade, força de vontade e persistência, em aprender o melhor para nossa evolução integral; tanto espiritual como intelectual. O que não sabemos, o Amigo nos instruirá.
                                
                                 

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