quarta-feira, 13 de julho de 2016

LIVRO DE JÓ -- POSTAGEM -- 10.

                               Jó, permaneceu pensativo por um breve instante; cabeça baixa, olhando para o chão de cinzas o qual estava sentado. Subitamente, erguendo a cabeça, com os olhos no horizonte, como que buscando inspiração, começou a defesa de sua integridade nesses termos: "Volto a reafirmar a vocês dois que, não sou cego de entendimento, e muito menos, tenho a mente embotada para ignorar tudo que ouvi de vós." Jó alega que somente se defenderá perante aquele que é superior a todos os seres e a todas as coisas. Somente a Deus ele exporá suas dúvidas e seu posicionamento até aquele momento fatídico, em sua existência no corpo de carne.
                               Jó coloca em dúvida a integridade e a sinceridade de seus amigos, alegando que eles estavam camuflando a verdade com mentiras; e os acusa de falsos médicos.
                              "Vós, porém, besuntais a verdade com mentiras e vós todos sois médicos que não valem nada."
                                Propõe ele, que seus amigos se calem para ouvir o  que ele tem para dizer em sua própria defesa. Disse Jó que o homem se ilude ao pensar que pode induzir Deus a tomar atitudes a seu favos, com promessas vãs. Será que pode o ser humano, ser perverso, e pensar que isso passará desapercebido do Criador, somente porque financiou obras sociais? Por acaso, pensa o homem, que Deus aprova contendas; mesmo sendo em seu nome? Isso não é tomar em vão o Santo nome do Criador?
                                Se Deus os analisar, descobrirá a vossa verdadeira face! Alias, nem é preciso! Pois o Altíssimo, conhece as nossas necessidades, antes que elas nascem em nós. O homem deveria se conscientizar que, o Criador é Onipresente; Uniciente; Onipotente; Soberanamente Bom e Justo. E isso, deveria pelo menos, causar temor ao homem! As  palavras dos homens, ocas, e seus argumentos vazios. Por isso, Jó manda que se calem diante dele; não é uma declaração saída de seu ego, mas sim, da amargura que inunda seu coração.
                                "...falarei eu, e venha sobre mim o que vier."
                                  Agora, a atitude de Jó é um misto de revolta e determinação; não se importando com as possíveis consequências espirituais daquilo que passa pela sua mente, e também não se preocupa em materializa-las em palavras.
                                  "Tomarei a minha carne nos meus dentes e porei a vida na minha mão."
                                    Jó, não está mais se importando, se morrerá ou não; o importante naquele momento, é a defesa do seu ponto de vista a respeito de sua terrível situação. Porque, quem está de fora de um grave problema, o vê sobre um ângulo diferente daquele que está sofrendo suas consequências. E é sobre o ângulo visto por Jó, que ele defenderá.
                                 "...já não tenho esperança; contudo, defenderei meu procedimento."
                                  Alega o nosso infortunado Jó que, a sua consciência está tranquila; e isso o deixa feliz, visto que os ímpios não costumam lembrar-se de Deus. Sendo assim, ele não se considera o mais vil dos seres; pois acredita na sua própria redenção. Pede que não o julguem antes de suas explicações e as razões de seu modo de proceder. Dis também que sua consciência está em paz, porque a sua causa, no seu entendimento está no caminho certo, e que se fará justiça a seu favor.
                               Então ele pergunta, se alguém tiver uma argumentação melhor que a dele, certamente que ele não mais dirá palavra alguma e entregaria seu Espírito ao julgamento. Jó pede a seus amigos, que não sejam emocionais, porém, que a justiça fale mais alto; baseada na verdade, na razão, e no bom senso. O que Jó não entende, é o motivo de tanto rancor da parte daqueles, que outrora se diziam seus amigos. Se estas são suas verdadeiras faces, por que as esconderam até agora?
                                 Porventura querem seus amigos causar pavor à aquele que já não tem mais o vigor de antes? Pode uma folha resistir a força do vento? Julgam Jó com severidade; alegando que a sua desventura é consequência dos devaneios da sua juventude.
                                "Decretas contra mim coisas amargas e me atribuis culpa da minha mocidade."
                                  Jó termina seu desabafo, dizendo que já não tem mais nenhuma necessidade de seguir a qualquer tipo de controle ou direcionamento advindo de seus amigos. Será que eles ainda não perceberam a sua real situação, moral, física e mesmo espiritual?
                               "...Também põe os meus pés no tronco, observas todos os meus caminhos e traça limites à planta dos meus pés, apesar de eu ser como uma coisa podre que se consome e como a roupa que é comida da traça."
                                   "Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis." (I Romanos, 1:22-23).
                                 

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